Thursday, February 21, 2013

Escorrem-me os dias entre os dedos. Estou tão perto de tudo o que mais quero, e como num pesadelo, sempre que estico os braços para alcançar o "tudo" ou parte dele, foge-me do alcance, afasta-se como num corredor que se alonga e estica.
Estou perto do Mar e não lhe chego, perto dos que amo, e não os consigo tocar, perto da abundância e não a alcanço. Por quanto tempo mais serei posto à prova? Onde é que termina este abismo, que pensei se tinha findado? O caminho que percorro tem percalços demais, e a cada obstáculo que ultrapasso, parece que um novo e mais alto se apresenta.
O que é que ainda não mudei? Que raios é que ainda posso mudar? Será Karma?
Encontrei-me, e ao encontrar-me perdi o caminho.

EU

Wednesday, February 13, 2013

Escapa-se-me a vontade e a sanidade... quero chegar ao mar e não consigo. Tão perto e tão longe!
Faltam-me as forças, os meios... o cumprir de sonhos e vontades objectivadas.
Estou cansado! Cansado de esperar, cansado de sonhar, cansado de projectar. Sei que este é o caminho, mas estou farto de curvas, desvios, percalços...
Deixei a felicidade algures no caminho, e agora não encontro o caminho de volta. Nem sei se volta!
Está decidido! Até lá, vou restringir-me simplesmente a viver!

EU

Tuesday, February 5, 2013


Maria Mel encostou a testa à janela fria e resmungou algo inaudível. O Inverno parecia eterno e o seu humor estava cinzento como o céu que ela espreitava pela janela do seu quarto. Procura desesperadamente o Sol.
O seu semblante demonstra que o seu coração está pesado, talvez até magoado. O seu olhar está claramente perdido lá atrás algures no passado. É altura de fazer retrospectivas, diz a sociedade. Optou por desta vez obedecer.

Procura as memórias felizes, vasculhou e vasculhou. Porque será que as memórias desagradáveis ocupam tanto espaço que as boas ficam como que subterradas no fundo no nosso subconsciente? Sentiu-se frustrada e ingrata. É claro que tinha recordações lindas. De repente o seu olhar mudou; os olhos abriram-se e iluminaram-se! Sim, lembrou-se das suas viagens, das suas aventuras e respectivas lições. Lições… ora bolas, lá se foi a alegria novamente. O olhar escureceu e o queixo estremeceu. - Não, não vou chorar –, pensou quase verbalizando. – Já chorei e já limpei esta tralha! – Pelos vistos não, Maria Mel.

Ela ainda tem gravado no seu ADN a crença que as guerreiras não choram. Quantas vidas levaria a limpar este disparate? Quantas vidas levaria a ter coragem de deitar a cabeça no colo de alguém e chorar livremente? Quantas vidas levaria a aprender a pedir ajuda? A dizer que é frágil? A gritar bem alto o que lhe vai na alma, o que gosta e o que não gosta? Porque será que só confia no invisível, nos seus amados deuses, nos devas, nas suas fadinhas e elfos? Porque é que a maldade humana a assusta tanto e porque é que, tantas vezes, se sente encurralada nesta existência? Talvez tenha reminiscências de vidas num mundo em que a alegria, a paz, a lealdade e o Amor imperavam. As saudades que, tantas e tantas vezes sente sem saber do quê, pode ser prova disso. Essa profunda saudade chega a ser dolorosa, deixando um rasto de nostalgia que a acompanha por dias.

Sim, talvez, mas as memórias de luta, de sobrevivência de miséria humana, de perdas também a marcam. O vazio que, outras tantas vezes sente, não seria também prova disso?
É do inverno! -, escusou-se ela, tentando afastar estes pensamentos. – Mas o Verão nunca mais chega?! – resmunga.

Agarra o primeiro casaco que encontra e a passo rápido encaminha-se para o seu carro. Pela ansiedade que emana quase que se pode prever onde vai. Vai aos seus refúgios; ao mar mas tem que passar pela sua serra preferida onde abraçará as árvores descalça. Na praia, deixará ficar estas emoções que já não são suas.
A verdade é que resulta sempre. Volta sempre mais leve e mais consciente da sua missão na Terra, dos objectivos que já concretizou, dos que ainda não concretizou, mas que sabe, sem sombra de duvida, que irá alcançar. O seu Amor à Natureza tem um efeito mágico sobre ela.

Ao chegar, agradece à Mãe Yemanjá a cura que acontece sempre e rasga um sorriso feliz.
À beira mar, ela abre os braços para deixar entrar o Amor da deusa do mar e das ondas. O seu peito expande-se para deixar entrar energia renovada e carregada de esperança.

Maria Mel decide que está na hora de largar a pesada pele de vítima. Lembrou-se das palavras do seu mestre que constantemente lhe diz que, enquanto não se libertasse do passado, jamais teria espaço para o novo. E ela quer o novo, ela quer muito o novo!

Naquele momento, poderosamente mágico, decide que o seu futuro seria o que decidisse Entra devagar no mar frio, fecha os olhos e vê-se no cimo de uma montanha, vestida de branco, com o mar em baixo de um azul profundo que se funde com o céu tornando-o infinito Ela que fazer parte desse infinito. Num impulso incontrolável, Maria Mel mergulha no mar que lhe gela o corpo, mas que lhe liberta a mente.
Sente a bênção que este momento representa e abre um sorriso ainda mais largo que ilumina os seus olhos tanto quanto a sua alma.
Maria Mel baptizou-se no seu amado mar reiterando a decisão de ser feliz aqui na Terra. E foi. 

Friday, February 1, 2013

Os sonhos não se extinguem, o espaço por eles deixado, é ocupado por novos sonhos. Está na nossa essência,e pobre daquele que não tem sonhos a preencher-lhe o coração e a alma.
Da mesma forma são os objectivos e as expectativas, não se extinguem, substituem-se por outros, adaptam-se, uma vez que nem sempre dependem só de nós.
Quando os objectivos e metas dependem só de nós, mantém-se o foco, e caminha-se na sua direcção, mesmo que no percurso se tenham de fazer ajustes na rota. Ajusta-se a velocidade, mas não o destino.
No caminho infelizmente, deixamos alguns para trás, não por não nos poderem acompanhar, mas por terem rotas diferentes. Lamento, na sua maioria, dos que cruzaram a minha vida, que não tivesse-mos destinos comuns, e espero francamente que o destino nos volte a cruzar um dia, para devidamente agradecer a sua partilha, a do caminho.
Grato!

JRM aka EU