Sunday, November 3, 2013


Bali

Pedro:
Nada corre como previsto! A viagem ao México foi cancelada por falta de Swell. Vim parar a outro extremo, a outro continente, Africa. Africa do Sul, das praias selvagens e dos tubarões brancos.
Conheci um casal francês, que também aproveitou as férias de verão para uma surf trip mundial. Laurent e Caroline, são assim que se chamam, e é o que mais próximo tenho como amigos neste fim do mundo. Faltas-me cá tu! Lembro-me sempre de ti e do que tínhamos quando vejo casais em plena harmonia e felicidade. Queria ter-te para te partilhar com eles também, para podermos sair juntos e teres companhia na praia, nas horas que estou dentro de água.
O Laurent disse-me que viajam para Bali, dentro de três dias, e decidi acompanhá-los. Fazem-me bem estas jornadas, os imprevistos. É nessas alturas que consigo não estar a pensar em ti.
Bali, ruas loucas e motorizadas como cogumelos a nascer em todo o lado. Um cheiro forte a especiarias no ar quente e húmido. É o nosso primeiro dia e visitámos a feira local, onde é possível vender tudo e comprar tudo, desde bijuterias a alimentos regionais a eletrodomésticos. Uma loucura. Um sussurrar ensurdecedor enche o ar e os ouvidos. Pregões, discussão de preços, conversas de ocasião, e o som, sempre o som de centenas de motorizadas de fundo.
Congelei! No meio de toda a confusão e de rostos idênticos, e tons de pele escuros, vi ao longe uma ocidental. Atravessava a multidão de mão dada com alguém que não vi. Parecias-me tu, ou o meu cérebro pregou-me uma partida má. Já nem sei como és, passou tanto tempo! Mas gelei, senti mil borboletas no estomago, fiquei com a boca a saber a papel de rebuçado e um suor frio cobriu-me por completo.
…e se és tu? Corro? Resgato-te da mão que te prendia, e como nos filmes beijo-te tombada sobre os meus braços, como se não houvesse passado, só existisse o agora, o ali. E se não és? Não sei o que me provocaria mais descontentamento. -Ça vá? Diz-me o Laurent. Nem respondo, estou inebriado, a viajar. Na cabeça revejo em microssegundos todas as probabilidades. Não podes ser tu, não aqui, não agora! Se fosses corria, o coração empurrava-me e saltava-me pela boca. Agarrava-te e fugia contigo para sempre, sem destino, a não seres tu.
Nessa semana voltei várias vezes ao mercado, sempre na esperança de rever a mesma mulher, sempre com medo que fosses tu, que não me reconhecesses, que me ignorasses. Mas queria ver-te, ou pelo menos ter a certeza de que não eras tu. O resto do tempo passei-o dentro de águas cristalinas e ondas selvagens e perfeitas, desapegado de tudo, sem memórias ou futuros, na única altura em que nada me incomoda. Sou só eu e o ali e agora.
Mais um destino que queria partilhar contigo, um paraíso infindável de cores, cheiros e experiencias inesquecíveis. Queria-te aqui, sem ti só consigo meias felicidades. Regresso a Lisboa amanhã, talvez lá te encontre, ou não, nada sei de ti. Mas em Lisboa amo-te sempre mais.
EU
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É fantástico este método!!!! ... os resultados são rápidos e surpreendentes! 

Tuesday, October 8, 2013



Chega!
Madalena:
Como é que consigo? Porque é que restam tantas memórias? Porque é que não saís de uma vez por todas de dentro de mim?
Dei-te tempo, tanto tempo! Amava-te tanto! Como posso ainda imaginar um futuro juntos, que nos seja comum? Estragas-te tudo, não te lembras? O mesmo abraço que me deixava segura, magoou-me, apertou demais. Quase me sufocou. “Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida.” Lembras-te?
Quis-te como nunca desejei ou quis alguém. Estúpida, ainda quero! Mas não quero todos os problemas de volta, és complicado demais. Não quero ter de te partilhar com nada, nem impor-te decisões. Senti que não cabia na tua vida e amar-te não bastava!
Como amava o calor da tua pele, a tua respiração no meu pescoço, os abraços que me envolviam e resgatavam do mundo. Como pude ser tão parva? Como é que não percebi, que nunca serias só meu?
Queria ter filhos teus, a que daríamos nomes que já tínhamos escolhido! Queria perder-me em ti. Tremi da primeira vez que nos amámos. Tola! Dei o meu melhor, e queria o teu melhor, o teu todo. Queria voltar a adormecer contigo sob as estrelas da praia e acordar com os teus beijos salgados e molhados do mar. Ralhar-te porque me pingavas de água gelada, enquanto te sacudias como um miúdo.  Queria que Ribeira D’Ilhas fosse para sempre. Ver-te remar ao longe sobre o mar, ver-te rasgar as ondas num bailado quase que sincronizado. Orgulhar-me novamente por te ver sair da água em direção a mim. Vinhas sempre. Como um guerreiro após uma batalha, com a tua armadura de neopreme a escorrer restos pingados de uma batalha. Na mão trazias a arma com que rasgaste e esventras-te as ondas. Vinhas, e era sempre para mim. Nessas alturas sentia-me única.
Queria poder voltar a ir contigo a Nova York. Voltar a fazer aquela corrida no Central Park, ver-te a alimentar os esquilos, com os olhos a brilhar. Parecias uma criança. Foi a nossa lua-de-mel antecipada, a única altura em que me pareces-te só meu.
Segui outro caminho! Doías-me demais. Encontrei outro sentido, tu fazias-me mal. Encontrei outra pessoa, que me faz melhor, ou pelo menos diferente. Partilhei com ela outras viagens, outros rumos. Sorri, dei gargalhadas. Tenho pena que não possas partilhar desta felicidade comigo. Sinto que te traio, ou que pelo menos traio, ou retraio, um vazio no peito.
Queria mostrar-te Paris, Londres, as praias a perder de vista na Indonésia. Dar-te as ondas que vi. Sempre que as vi, faltaste-me, estava habituada demais a ver-te nas ondas na minha frente. Tu não estavas lá. Disseram-me que percorrias o México em busca de ondas infindáveis e spots desconhecidos. Queria sentir-te ali! Senti que traia a pessoa com quem partilho a vida e agora os meus, que já foram nossos, sonhos.
Sou, e estou feliz agora. Já não tenho medo que me esperes no escuro. Sinto-me segura, com porto de abrigo. Mas permanece em mim um medo, de te encontrar, de nos cruzarmos, e tremerem-me as pernas, faltar-me a voz. Querer partilhar contigo a minha felicidade e não conseguir. Tenho medo de te magoar, por nada ser capaz de dizer. Dizer-te que está tudo bem, nada se perdeu, e o passado fará sempre parte das nossas memórias, será sempre uma parte de nós, e não podemos apagar quem somos. Acho que morro se te vir!

EU

Sunday, October 6, 2013

James Arthur - Impossible (Lyrics)

O Mundo de Pedro, o fim!
Pedro:
Criou-nos o tempo um tempo, que não deveria ser tempo. Estava fora do tempo, atrasado ou adiantado, ao tempo que deveria ser nosso. Cruzaram-se os nossos caminhos fora do tempo. Mas como eu tinha a certeza que deveríamos estar juntos! Como se fosse essa a mais natural escolha de destinos no universo.
Foste a minha metade, a metade que me faltava e me completava, e como eu sinto falta dessa parte! Se pudesses imaginar, se o pudesses sentir como sinto. Se pudesses imaginar como lamento, como me arrependo de ter sido alguém que eu próprio nem em mim reconheço. Também a mim me apetecia engolir-te e fundir-te em mim.
Fiz-te tanto mal. Eu sei. Mas o meu coração gritava e cegava, todos os meus atos. Gritava desespero. Tive o mundo e a felicidade numa mão, e de repente fugia, já nem eu sei porquê. Já não sei como chegamos onde chegámos. Só sei que me doía e ainda dói. Tudo o que fiz foi puro instinto de sobrevivência. Não sabia e ainda não sei, viver sem ti, com a tua falta.
Sigo-te ao longe, nas sombras. Alegro-me com os teus sorrisos, com a tua vida, com o que alcanças-te. Mas não estás cá, nunca estás cá. Não te oiço rir, não posso sentir o teu sorriso, a tua respiração. A tua vida, que já não é o meu caminho.
Maldito tempo! Com tantos caminhos na vida, tinhas de vir no pior! Quando tudo era confuso demais para mim, quando não sabia ainda quem era, não sabia dize-lo em palavras. Não consegui dizer-to quando ainda o podia. Ainda posso…
Tenho medo de voltar a entrar na tua vida, medo de te desiludir mais uma vez, de não estar à altura. Medo de me tornar uma pedra no teu sapato, uma lembrança que queres apagar ou já apagaste. Tenho medo, acho que sempre tive medo, até de ser feliz demais, e depois sofrer, como agora sofro.
Sinto que fiz tudo para não te perder, mas infelizmente da única maneira que sabia na altura, da maneira mais errada. Sinto também que ainda não fiz o suficiente, que posso fazer mais, que devo lutar pelo que me faz feliz. Tudo o que vejo me ensina que só se encontra a felicidade plena quando se segue o coração.
Ainda continuo sentado nas escadas, no escuro, à espera que chegues. E como isso era assustador para ti. Mas eu ficava lá sentado, inebriado pelo álcool, inventando mil coisas que te diria e nunca disse. Assustava-te só, e fugias ainda mais.
Tinha prometido a mim mesmo, á muitos anos, nunca mais sofrer por ninguém, nunca mais amar e sair magoado. Mas não sei viver sem ti, nada faz sentido. Se estou feliz sinto a tua falta, para partilhar contigo a minha felicidade, se estou triste, sinto a tua falta, para me aconchegar no teu cheiro e abraço. Estou sempre, mas estou só metade de mim. Faltas-me tu!
Como te amo! Como desejo partilhar tudo da minha vida contigo, e fazer parte da tua vida também. És a motivação que me falta para seguir em frente, para caminhar para a felicidade. És o meu guia e eu estou cego. Não vejo os caminhos a seguir. Queria chegar alto, muito alto, para te orgulhares de mim. Mas tu não estás cá, já não estás, e falta-me a vontade de lutar, de alcançar algo que talvez nunca possa partilhar contigo.
Continuo a amar-te, é tudo o que sei, mesmo que o negue sempre interiormente, mesmo que queira seguir sem ti. Passou muito tempo, demais, para não te ter esquecido. Amo-te desde o fundo do meu ser, pois tu és parte dele.
Percorro o tempo sozinho, e com ele arrasto um passado pesado, recordações que me ferem e me dão contentamento. Tenho enormes anzois presos na pele, e presos neles memórias que arrasto em sofrimento, que me rasgam a carne. Queria fugir, não ser eu, ser outro alguém, renascer, sem passados nem futuros pré-concebidos. Queria ser o agora. Só, neste mesmo momento. Libertar-me de toda a tristeza e dar-me ao direito de ser feliz.
Ergueste-me um imenso palácio de cristais azuis, onde tudo era o meu mundo. Ergueste-o sobre um mar de algas, que de repente se afundaram com a maré, e com ela levaste tudo o que havias construído, e com elas foi também grande parte do que eu tinha construído. A minha vida até então. Fiquei perdido, só, desesperado, tentando em mergulhos de apneia resgatar tudo o que ainda fosse possível. Os meus pulmões explodiam de sofrimento a cada mergulho, e cada vez tinha de mergulhar mais fundo. Deste-me e tiraste-me tudo. Foi como me senti, sem nada!
Quero de volta o Sebastião, as camisolas grossas de inverno que deveríamos usar em passeios na praia, a nossa casa com janelas enormes para o jardim. Poder partilhar estes e outros sonhos contigo. Fazer corridas com caixotes de lixo, numa rua qualquer de Lisboa, ou de outra cidade em qualquer parte do mundo.
Tenho tentado o meu melhor, mas não fui bem-sucedido. Continuo à espera que alguém me concerte, que alguém me faça um re-load. Que sejas tu ou alguém, alguém onde eu possa ser eu. Onde as ondas do mar me acariciem a pele, me derrubem me libertem. Onde eu possa sentir de novo a areia debaixo dos pés, o off shore de um dia clássico. Onde eu possa voar livre sobre o mar, como as gaivotas. Onde os meus olhos se molhem num tom verde infinito, de mar azul e não de lágrimas de descontentamento. Quero-te tanto!  
EU

Saturday, October 5, 2013


Amor incondicional

Pedro:
Amo-te como nunca amei nada nem ninguém. Sei-o, sinto-o. Não te apagas de mim, nem há dia que não te recorde ou te busque. Já passou tempo demasiado, para ainda o sentir com a mesma intensidade, do dia em que te perdi, a falta do teu sorriso, do teu abraço, do toque da tua pele, o teu cheiro.
Não sei se consigo viver sem ti. Viver inteiramente feliz. Sou sempre só metade, faltas-me tu. Não consigo ser feliz sem o partilhar contigo. Não consigo fugir deste sentimento. Por mais que me afaste, por mais longe que vá, que viaje, mais se intensifica a tua falta. Estou mais longe da noite que também a ti te cobre, da lua que te ilumina, do sol que te aquece.
Sei que errei tanto! Como me tornei cego, um monstro. Feriste o que de mais selvagem, instintivo e inconsciente existe em nós: A certeza de amor verdadeiro; certeza de ter encontrado a parte que nos faltava. Arrancaste-me metade de mim, que era tua. Abriu-se uma ferida que nunca mais ninguém fechou. “Em cada gesto perdido, tu és igual a mim!”. Cegou-me o álcool a testosterona, a irracionalidade. Arrancas-te de dentro de mim um monstro. Feriste o instinto animal que existe dentro de mim.
Amo-te incondicionalmente. O suficiente para não te querer prender, o suficiente para que te deseje toda a felicidade do mundo mesmo longe de mim. Deveria ser assim o amor. É assim que o sinto. Amo-te por seres quem és, por dentro e por fora, como já disse incondicionalmente. “Em qualquer lado onde quer que eu vá, levo no corpo o desejo de te abraçar, em toda a parte onde quer que o sonho me leve, hei-de lembrar-me de ti… uma canção que um dia aprendi, e hei-de cantá-la a pensar em ti”
Só lamento ter-te perdido de todas as maneiras possíveis. Não poder estar contigo, cheirar o teu sorriso, acariciar as tuas palavras, tocar os teus sentimentos e levar comigo “o abraço guardado”. É o que mais lamento, não poder estar contigo. Partilhar alguma coisa contigo, e ter o privilégio de alguma maneira voltar a fazer parte da tua vida.
Amo-te como amo a vida!
EU

Tuesday, May 21, 2013

Saturday, March 16, 2013


O quarto era escuro, sem janelas. Tinha sempre um aroma a baunilha, a coco e a mar. A televisão era pequena, minúscula  mas também dela nunca senti falta. Servia de luz de fundo, ou de candeeiro improvisado. No chão um cinzeiro, normalmente cheio dos restos mortais de momentos de prazer. Na cama lençóis listados, que lembravam antigas barracas de praia. No ar? Um cheiro a amor e paixão apressada, a noites de suores, a abraços apertados e por vezes trémulos. O tecto era alto,  as paredes de branco esquecido.

Na porta da casa, ferrolhos envelhecidos e batentes em forma de punho. Camadas de tinta envelhecida e gasta, sobre a madeira sólida. Nas escadas, em caracol quadrangular, uma silhueta a subir na minha frente. Tantas vezes desejei que as escadas fossem eternas, para eternamente apreciar a vista, a silhueta amada, desenhada nas calças normalmente de ganga. Dava mil vidas para saborear novamente as fracções de tempo que caminhei atrás de ti, sabendo que o nosso destino era o mesmo.
Foram eternos os momentos em que adormeci nos teus cabelos, e quis que fossem eternos os momentos em que te olhei enquanto dormias. Apreciei cada segundo, como se já tivesse a certeza que nunca irias ser completamente minha. Como se pode ser de alguém? Eu seria teu, se o quisesses  se me deixasses. Fundir-me-ia em ti se fosse capaz.
Depois de ti… ficou um vazio eterno que nunca mais soube preencher. Foi contigo a essência e o âmago de todos os sentimentos. Depois de ti… fiquei eu.  

Thursday, March 7, 2013


Finalmente descalço-me! Piso a chão frio de terra e areia, arrepia-se-me a pele e o couro cabeludo. Encho o peito numa inspiração que quase traz a imensidão do Mar à minha alma. Ouço a explosões de ondas e água e o borbulhar das espumas rendilhadas do Mar. Pego-te na mão, e quase te arrasto: -Anda!!! Como se nunca tivesses visto o Mar! Mas o meu coração está a mil, sou eu. Eu que tenho sempre a sensação que quando vejo o Mar é sempre pela primeira vez, é sempre diferente, nunca é o mesmo. Como alguns animais marinhos, muda de cor e de forma, de estados de espírito até.

Os meus pés e pernas enterram-se na areia das dunas, enquanto te arrasto duna acima, presa pela mão. O céu está cinzento zangado, e é somente rasgado pelo branco das gaivotas que lutam no vento norte. Se calhar chove! Melhor seria. Não imagino, nem me lembro de nada mais mágico e perfeito, do que estar dentro de água enquanto chove torrencialmente. Desta vez não vou para dentro de água e sempre podemos abrigar-nos no bar vazio da praia.

Enfim o mar! Agitado numa revolta que tenta esmagar as areias que sob ele se põem. Cinzento e também salteado de brancas espumas que parecem cordeiros espalhados sobre a sua imensidão. Estou estático, paralisado e hipnotizado, ainda te seguro a mão com força, e estamos silenciosos os dois no topo da duna.
-Vamos? Perguntas-me. E caminhamos lentamente, descendo a duna em direcção ao mar. Do céu começam a cair pequenas gotas de chuva, como que num baptismo renovado. Como que uma oferenda a este recomeçar. Em ti, no mar, como se o universo, numa simbiose perfeita, tivesse alinhado todo este momento.

Chega-nos a água aos pés, e quase que instintivamente, recuamos um passo. Sei que é este o realizar de todo um momento que não poderia ser mais perfeito. Levanto-te agarrada pela cintura e beijo-te longamente, num beijo com sabor a morango pastilha e a mar. O mar? Fundiu-se em nós no beijo, entrou-me pelos pés, encheu-me o corpo e a alma, que agora já te posso dar neste beijo eterno.
    
Um dia… vai ser assim. 

Friday, March 1, 2013

"Why didn't you write me? Why? It wasn't over for me, I waited for you for seven years. But now it's too late." - Allie

Thursday, February 21, 2013

Escorrem-me os dias entre os dedos. Estou tão perto de tudo o que mais quero, e como num pesadelo, sempre que estico os braços para alcançar o "tudo" ou parte dele, foge-me do alcance, afasta-se como num corredor que se alonga e estica.
Estou perto do Mar e não lhe chego, perto dos que amo, e não os consigo tocar, perto da abundância e não a alcanço. Por quanto tempo mais serei posto à prova? Onde é que termina este abismo, que pensei se tinha findado? O caminho que percorro tem percalços demais, e a cada obstáculo que ultrapasso, parece que um novo e mais alto se apresenta.
O que é que ainda não mudei? Que raios é que ainda posso mudar? Será Karma?
Encontrei-me, e ao encontrar-me perdi o caminho.

EU

Wednesday, February 13, 2013

Escapa-se-me a vontade e a sanidade... quero chegar ao mar e não consigo. Tão perto e tão longe!
Faltam-me as forças, os meios... o cumprir de sonhos e vontades objectivadas.
Estou cansado! Cansado de esperar, cansado de sonhar, cansado de projectar. Sei que este é o caminho, mas estou farto de curvas, desvios, percalços...
Deixei a felicidade algures no caminho, e agora não encontro o caminho de volta. Nem sei se volta!
Está decidido! Até lá, vou restringir-me simplesmente a viver!

EU

Tuesday, February 5, 2013


Maria Mel encostou a testa à janela fria e resmungou algo inaudível. O Inverno parecia eterno e o seu humor estava cinzento como o céu que ela espreitava pela janela do seu quarto. Procura desesperadamente o Sol.
O seu semblante demonstra que o seu coração está pesado, talvez até magoado. O seu olhar está claramente perdido lá atrás algures no passado. É altura de fazer retrospectivas, diz a sociedade. Optou por desta vez obedecer.

Procura as memórias felizes, vasculhou e vasculhou. Porque será que as memórias desagradáveis ocupam tanto espaço que as boas ficam como que subterradas no fundo no nosso subconsciente? Sentiu-se frustrada e ingrata. É claro que tinha recordações lindas. De repente o seu olhar mudou; os olhos abriram-se e iluminaram-se! Sim, lembrou-se das suas viagens, das suas aventuras e respectivas lições. Lições… ora bolas, lá se foi a alegria novamente. O olhar escureceu e o queixo estremeceu. - Não, não vou chorar –, pensou quase verbalizando. – Já chorei e já limpei esta tralha! – Pelos vistos não, Maria Mel.

Ela ainda tem gravado no seu ADN a crença que as guerreiras não choram. Quantas vidas levaria a limpar este disparate? Quantas vidas levaria a ter coragem de deitar a cabeça no colo de alguém e chorar livremente? Quantas vidas levaria a aprender a pedir ajuda? A dizer que é frágil? A gritar bem alto o que lhe vai na alma, o que gosta e o que não gosta? Porque será que só confia no invisível, nos seus amados deuses, nos devas, nas suas fadinhas e elfos? Porque é que a maldade humana a assusta tanto e porque é que, tantas vezes, se sente encurralada nesta existência? Talvez tenha reminiscências de vidas num mundo em que a alegria, a paz, a lealdade e o Amor imperavam. As saudades que, tantas e tantas vezes sente sem saber do quê, pode ser prova disso. Essa profunda saudade chega a ser dolorosa, deixando um rasto de nostalgia que a acompanha por dias.

Sim, talvez, mas as memórias de luta, de sobrevivência de miséria humana, de perdas também a marcam. O vazio que, outras tantas vezes sente, não seria também prova disso?
É do inverno! -, escusou-se ela, tentando afastar estes pensamentos. – Mas o Verão nunca mais chega?! – resmunga.

Agarra o primeiro casaco que encontra e a passo rápido encaminha-se para o seu carro. Pela ansiedade que emana quase que se pode prever onde vai. Vai aos seus refúgios; ao mar mas tem que passar pela sua serra preferida onde abraçará as árvores descalça. Na praia, deixará ficar estas emoções que já não são suas.
A verdade é que resulta sempre. Volta sempre mais leve e mais consciente da sua missão na Terra, dos objectivos que já concretizou, dos que ainda não concretizou, mas que sabe, sem sombra de duvida, que irá alcançar. O seu Amor à Natureza tem um efeito mágico sobre ela.

Ao chegar, agradece à Mãe Yemanjá a cura que acontece sempre e rasga um sorriso feliz.
À beira mar, ela abre os braços para deixar entrar o Amor da deusa do mar e das ondas. O seu peito expande-se para deixar entrar energia renovada e carregada de esperança.

Maria Mel decide que está na hora de largar a pesada pele de vítima. Lembrou-se das palavras do seu mestre que constantemente lhe diz que, enquanto não se libertasse do passado, jamais teria espaço para o novo. E ela quer o novo, ela quer muito o novo!

Naquele momento, poderosamente mágico, decide que o seu futuro seria o que decidisse Entra devagar no mar frio, fecha os olhos e vê-se no cimo de uma montanha, vestida de branco, com o mar em baixo de um azul profundo que se funde com o céu tornando-o infinito Ela que fazer parte desse infinito. Num impulso incontrolável, Maria Mel mergulha no mar que lhe gela o corpo, mas que lhe liberta a mente.
Sente a bênção que este momento representa e abre um sorriso ainda mais largo que ilumina os seus olhos tanto quanto a sua alma.
Maria Mel baptizou-se no seu amado mar reiterando a decisão de ser feliz aqui na Terra. E foi. 

Friday, February 1, 2013

Os sonhos não se extinguem, o espaço por eles deixado, é ocupado por novos sonhos. Está na nossa essência,e pobre daquele que não tem sonhos a preencher-lhe o coração e a alma.
Da mesma forma são os objectivos e as expectativas, não se extinguem, substituem-se por outros, adaptam-se, uma vez que nem sempre dependem só de nós.
Quando os objectivos e metas dependem só de nós, mantém-se o foco, e caminha-se na sua direcção, mesmo que no percurso se tenham de fazer ajustes na rota. Ajusta-se a velocidade, mas não o destino.
No caminho infelizmente, deixamos alguns para trás, não por não nos poderem acompanhar, mas por terem rotas diferentes. Lamento, na sua maioria, dos que cruzaram a minha vida, que não tivesse-mos destinos comuns, e espero francamente que o destino nos volte a cruzar um dia, para devidamente agradecer a sua partilha, a do caminho.
Grato!

JRM aka EU

Monday, January 14, 2013

As palavras

Sentava-me no escuro, nas escadas de madeira fria, inebriado pelo álcool, esperava...
O ar era sempre pesado, cheirava a madeiras centenárias, a tinta velha e a mofo. Odeio prédios velhos. Sempre odiei, parecem carregar fantasmas de mil vidas, provocam-me desconforto.
Mas esperava sentado no escuro. Nunca sei bem o que esperava, porque nunca encontrei as palavras para o dizer. Como naquele Verão dos anos 80.

Os anos 80 foram os anos de mar e praia. De Inverno e de Verão. Dormia nas noites de Verão na praia, muitas vezes tendo por único agasalho a toalha de praia e a certeza de que seria um dos primeiros a estar no mar. Era-mos a maior parte das vezes um grupo de vários rapazes e algumas raparigas. Fazia-mos fogueiras e tocava-se guitarra sob as estrelas e a lua.

Havia uma rapariga, a tal, de pele muito morena e cabelos escuros, linda! A Leonor. Eu estava apaixonado por ela desde a primeira vez que a vi, era irmã de um amigo meu das surfadas. Tentei sempre ser o mais discreto possível  era tímido demais para tentar o que quer que fosse. Sentia dentro de mim que ela era "areia a mais para a minha camioneta". Até àquela noite.

Tinham-me acabado os cigarros, e sem que eu nada pergunta-se, ofereceu-se, ela, para me levar na "acelera" de uma amiga comum à Costa, ao centro da Vila. Passaria-mos em casa da Madalena, para levar casacos emprestados, que a noite estava fria, e rumaria-mos à Vila.

A viagem de São João da Caparica, até ao centro da Costa, pareceu-me eterna. Os cabelos dela tocavam-me o rosto, e eu viajava abraçado nela em êxtase total.

Comprámos os cigarros... - Queres passear no Pontão? Perguntou-me. Se queria? Era um sonho tornado realidade, eu e ela sob a lua, sozinhos.

Percorremos de mota o Pontão, e parámos na praia do Norte. Juntos sentámos-nos de frente para o mar, lado a lado. Eu esfregava as mãos, geladas pela pendura na mota. - Dá-me as tuas mão que eu aqueço-as! Disse-me, e segurou-me as mãos entre as dela. Senti borboletas no estômago e fiquei mudo. Ficá-mos assim uns dez minutos, e eu não disse nada? Nada!

Acho que nessa noite, levei todos os sinais, e perdi todas as oportunidades! Uma semana depois começou um namoro de Verão com um outro tipo do nosso grupo, e desisti dela para sempre!

Leonor, se algum dia leres isto, sabe que por mais de um ano fui apaixonado por ti, e nunca te soube dizer.

Às vezes é só mesmo o que falta, as palavras certas.

JRM aka EU          

Friday, January 4, 2013

Tenho sérias duvidas que alguém me leia. Por um lado é libertador, e não constrangedor, porque percebi, que acima de tudo, escrevo para mim. Descobri também que sou eu quem mais visita as minhas páginas, por isso tem de ser sem duvida para mim que escrevo.

É sufocante percebermos que esperam de nós, muito mais do que aquilo que nós podemos dar, ou estamos dispostos a suportar. Colocam sobre nós expectativas  de que sejamos, "assim ou assado", que sejamos o que idealizaram dentro das suas cabeças, e esperam piamente que o venhamos a ser. Incrivelmente, nunca se deram ao trabalho de nos perguntar, o que somos, ou quem somos na realidade. Gostam, ou não gostam, de alguém que não somos nós mesmos. Porquê? Porque é muito mais difícil aceitar, que somos diferentes, que não somos a ideia que formaram de nós.

...e se eu não conseguir, se não for capaz de atingir o que de mim esperaram? Se eu não for forte o suficiente, se eu não estiver disposto a fazer sacrifícios que vão de encontro a todos os meus valores e princípios? Se eu não quiser deixar de ser "EU"?

Valho mais do que me dão! Porra, ninguém vê?

Passei a minha vida a seguir, o que me impunham, e quase nunca me impus. Onde é que cheguei? O que é que atingi? Uma parca e misera existência que não sou eu, nem nunca fui!

Porque raio não gostei eu sempre mais de mim do que dos outros? Porque raio coloquei os outros e as suas prioridades à frente? Burro!

Alguém me faz um inicio diferente? Não. Alguém pode mudar todas as escolhas que fiz até agora? Não. Alguém pode mudar alguma coisa daqui para diante? Sim, Eu!

...e não, não é esta a vida que quero, nem julgo merecer! Acredito mais do que nunca em mim, e não, não me vou vender barato a nada nem a ninguém! Talvez passe fome, vire um louco, um sem abrigo, ou outra coisa qualquer, desde que seja feliz! ...a felicidade não é o caminho, é a meta.

Quero continuar a amar muito, mas acima de tudo, quero sentir-me muito amado, tenho esse direito, o de querer, e esse ninguém me pode tirar. Quero que me mereçam, tudo e todos! Tenho um mundo enorme dentro de mim, e há que merece-lo. É um mundo fantástico de paz, harmonia, sinceridade, pureza e amor. Tenho dotes e sensibilidades fantásticas para quem as merecer, mas para isso tenho de ser EU.

Cansei-me de hipocrisia, de falsidade, de interesses encobertos!

É o meu grito de Ipiranga: Chega!!! Agora quero ser eu!!!