Saturday, December 29, 2012


Pedro:

Acordei de um sonho fantástico! Tudo era tão real e tão perfeito!
Quando adormeci, de headphones, a Dona Mafalda afagava-me os ouvidos e alma, como sempre. É ela a minha ligação a ti e ao nosso passado.
Sonhei, e acordei a ouvir esta frase, “…eu estarei, quando te sentires só!”.
Felizmente, adormeci no avião, porque ao fim de tantos anos e viagens, continuo a sentir um estranho desconforto, em viajar de avião, sinto como se não fosse algo natural, viajar pelos céus.
Tinham-me telefonado a avisar de grandes ondas, e um dia clássico, na Ericeira, ou na Nazaré, já não me lembro. São assim os sonhos, desvanecem-se depressa. Eu meti-me no carro, e telefonei-te para ires ao meu encontro. Tudo era normal, não havia passado, era a história presente. Não nos tínhamos separado, não havia remorsos, interrupções, nada. Era tão normal e tão real, que tive necessidade de pegar logo no “Lap-top”, para o escrever.
Eu cheguei de carro, e tu lá estavas à minha espera. Estávamos juntos, era “natural”! Acolheste-me com o teu sorriso enorme, envolveste-me nele e contagiaste-me como sempre. (Diz-me agora a Dona Mafalda, que “Há sempre uma maneira de recomeçar, o que se quiser!”).
Cumprimentámo-nos com um beijo longo e fresco. Envolvi-te num abraço. De seguida olhámos o mar e as ondas, realmente “clássicas”, e tu disseste-me um simples e compreensivo: - Vai! E eu fui, e desci a primeira onda a olhar para ti no paredão, e era tão real, tão perfeito!
Senti invadir-me de uma felicidade que há muito não sentia, que havia esquecido. Já não me lembrava que se podia ser tão feliz!
Continuo a amar-te Madalena, e é-me tão natural e tão puro. Senti hoje, ao fim de tanto tempo a tentar esquecer-te, que afinal fazes sempre parte de mim.
Continuo as horas que faltam do voo com um sorriso parvo e infantil de contentamento puro.
Amo-te Madalena, “…e ao fundo, ouve-se o mar.”.

EU, do Romance "A areia dos pés" no Blogue "A esquina do Blogue".      

Wednesday, December 26, 2012

Significado de Namaste:

Literalmente significa "curvo-me perante ti"; a palavra provém do sânscrito namas, "curvar-se", "fazer uma saudação reverencial".
Quando dito a outra pessoa, é normalmente acompanhada de uma ligeira vénia feita com as duas mãos pressionadas juntas, as palmas tocando-se e os dedos apontando para cima, no centro do peito. O gesto também pode ser realizado em silêncio, contendo o mesmo significado.

Monday, December 24, 2012

A quem me visita:
Namaste, toda a minha gratidão!

JRM

O meu eu!

Faltam-me as letras, as letras colocadas a formar palavras, e palavras que construam frases. Falta-me a expressão, o adjetivo, o significado. Quero expulsar de dentro de mim as palavras, e nesse esforço, sinto um aperto no peito e o rasgar da minha própria alma!
Esqueci-me de mim por tempo demais, e já quase não me lembrava de quem era, donde vim, o que conquistei, o que amo! Passei tempo demais a viver a vida dos outros, não a deles, mas a minha moldada à deles. De todos. Esqueci-me por tempo demais da pessoa mais importante: Eu.
O que eu quero, o que eu gosto, o que me apetece, o que me diverte, o que me aborrece. Tudo para ser o que esperavam que fosse. Agora sinto-me sufocar dentro deste eu, que não sou eu! Como é que lhes digo agora? Que não gosto, que não quero, que basta? Apanhei o comboio mais fácil, aquele onde não tinha de me impor, onde era mais fácil, onde era ator de um filme que nunca foi meu!
Amo o mar, as montanhas selvagens e desbravadas, o vento no rosto, a salmoura na pele, olhar o horizonte sentado sobre a prancha, e sobre o mar. Amo a liberdade, a livre escolha, a não dependência, o poder ir fazer, quando quiser, às horas que quiser e quando me apetecer. Adoro um bom vinho tinto, num copo muito grande, e um branco leve gelado, no calor do Verão.
Odeio compromissos, horários, pessoas fúteis, pessoas pouco inteligentes, conversas sem sentido e frases que não dizem nada. Odeio camisolas que picam a pele, calças de ganga acabadas de lavar, chinelos, robes e outras roupas desconfortáveis. Odeio pelos, todas as pilosidades em geral. É moda barba grande, azar, faz-me comichão! O mais que aguento são dois dias sem fazer a barba.
Odeio meninas certinhas e senhoras parvinhas! As meninas porque de certinhas só têm a embalagem, e as senhoras porque por parvas, só passam aos olhos dos mais cegos. Odeio viajar à pendura, velocidades arriscadas num jogo de roleta russa com o trânsito! Odeio discotecas onde as pessoas não se ouvem umas às outras, onde não há uma fuga para conversar, só. Odeio ressacas, e juro sempre que foi a última, mas só me arrependo das que não valeram a pena.
Sabem que mais? Adoro segurar a porta para as senhoras entrarem, dar-lhes passagem, ser bem-educado, e manter o nível. Porquê? Porque não é preciso ter para se ser! Adoro cuidar-me, e sentir-me bem comigo por isso!
Vou voltar a ser eu, cansei-me de ser os outros, se vou perder alguém? Muito provavelmente. Há com toda a certeza quem não vá gostar de quem sou na realidade. Sabem que mais, também os aturei tempo demais, e fico a ganhar. Ganho quem sou, e isso ninguém pode alterar.

JRM aka EU    

Tuesday, December 11, 2012

"Não desisti de ti por não te amar,
Desisti por não ter condições de continuara sofrer!"

Um cliché! Infelizmente. Mas a mais dura das verdades. Nem sempre o tempo apaga tudo, e às vezes o tempo leva muito tempo.

Deveria ser sempre como nos filmes ou romances, um "Happy end". Deveria, mas não é!

Quantas pessoas passaram pela tua vida? Poucas, ou muitas, pouco importa. Importam sim as que deixaram marcas, as que tatuaste na alma. Essas foram poucas! Menos do que os dedos de uma mão!

Para mim todas contaram, mesmo aquelas a quem esqueci o nome, todas merecem um pouco do que fui capaz ou tive disponibilidade para lhes dar! Mereciam mais? Quase todas talvez. No mais profundo do meu ser, espero que lhes tenham dado o que eu não consegui. Como um parasita, alimentei-me dos seus sentimentos, para apaziguar as dores passadas, ou para por momentos ou instantes, as esquecer. Dei o que conseguia, o máximo que conseguia, e provavelmente também dei oportunidades de se esquecerem, por momentos, das suas realidades.

Espero não ter magoado! Sinceramente! Ou que pelo menos os prazeres que dei, o que partilhei, que suplante os sofrimentos que possa ter causado!

Já fui tudo! Um príncipe, um companheiro, um amigo colorido, um ombro amigo, um traidor, um monstro até, um galã, um cavalheiro... e acima de tudo um Homem! O "H" grande, nem sempre o mereci, mas tentei sempre portar-me à altura. Errei!?! Sim, sou humano, sou falível. Gostava de ter sido um gentlemen, á filme dos anos 50, mas isso são filmes!

Sou assim, metade busca a perfeição, a outra metade é humana!

P.S.: Paris deveria ter sido nosso!

EU    

Monday, December 10, 2012

Do Romance "Pedro e Madalena, e areia nos pés.":


Diz-se que o passado é um fardo grande demais para se carregar, quando se anseia a felicidade plena.
Fora de ti, só me sinto feliz na sua total plenitude, revivendo o passado, vezes e vezes sem conta. Só viajando para o passado, o nosso passado, estou bem. Mas como posso eu viajar para algo que já não existe? O passado é isso, deixa de ser, não existe depois de o ser. Viajo dentro de mim, para encontrar o que restou de ti. Lembranças, esboços na memória, pedaços soltos de ti e de nós. Mas já não és tu! É o que tu eras, o que foste, o que fomos. Tudo se alterou. Estarás diferente? Eu estou seguramente diferente, mudaram-se-me os objectivos, a forma como vejo tudo o que me rodeia, a maneiro como sinto tudo. Tu estarás talvez igual ao meu eu de agora. O ser humano tem essa imutável característica, está em constante mutação, ora para se adaptar, ora para sobreviver em circunstâncias diferentes.
Disse-te mais do que uma vez que te amava, escrevi-o, cantei-o, exprimi-o de todas as maneiras que sabia. Disseste-me tu o mesmo. Porque não sobrevivemos então? Porque não era o bastante, não era o suficiente? Passou-te o amor? Julgo que não. Dedicámos tempo demais a amar-nos, e muito pouco tempo a conhecermos-nos realmente. Julgo que só falámos uma vez, de ti, de mim, do que éramos ou julgávamos ser. Mas ninguém se conhece realmente por conhecer os hábitos os gostos, e o passado de outrem.  Só falámos uma vez, nesse Inverno, naquela praia.
Hoje tomei uma decisão. Uma grande decisão.
Vou finalmente deixar-te ir. Deixar-te partir, e desapegar-te de mim. Viciei-me no sofrimento de não te ter, e tornou-se uma droga, e inevitavelmente todos os dias volto a ti. Volto ao que já não és, volto às memórias que me consomem e me desviam da felicidade que também eu deveria sentir, na sua plenitude. Se calhar não fui feito para ser feliz! Mas solto-te de mim. Não faz sentido viver arrastando esta âncora pesada, estas amarras que já se perderam no tempo.
Desejo do fundo, do meu mais intimo ser, que sejas sempre feliz. Que o sol brilhe em todos os teus dias, que ames e sejas amada como mereces, como o desejo para mim ou até mais. Vou guardar-te um abraço fechado, para te entregar algum dia. Vou guardar-te nas minhas memórias, no corredor onde guardo tudo o que marcou a minha vida, mas que já não faz parte dela, já não me pode atingir ou tocar. Sim no corredor onde se vão buscar histórias para contar aos netos e aos filhos.
Espero que te saibam amar! Amei-te muito…

EU  

Thursday, December 6, 2012


A parede

Encostado numa parede fria, com um dos pés apoiados nela. A parede é velha, deve ter dezenas de anos, e outros tantos de cartazes e grafitis sobrepostos nela. Cheira a papel velho e molhado.

Uma velha viela de Lisboa, uma qualquer, desde que as casas tenham vasos nas varandas e janelas com naperons. Onde os candeeiros sejam antigos, e o chão seja de calçada negra.

A luz amarela do candeeiro ilumina-me o rosto suavemente. É noite, é Outono e está frio. Deslizo os dedos entre os cabelos amarelados pela luz. Não passa ninguém, não se vê ninguém. Oiço John Mayer nos headphones, “Your body Is a Wonderland”, e não oiço mais nada. O verde dos olhos enche-se em brilho molhado. Uma pequena gota de lágrima escorre-me no rosto, lenta e suavemente, como uma caricia.
Estou à tempo demais nesta parede! Preso. Acorrentado há dezenas de anos. Preso neste passado. Os cartazes gastos e corroídos pelo tempo, são as minhas memórias, o meu passado. Cada um deles, um episódio, uma parte que mereceu registo, ora coloridos ora em tons cinza esbatidos.

Os grafitis são descobertas, são mais recentes. Pintados a negro sobre a parede, são descobertas absolutas, irrefutáveis. Coloridos com escritas e desenhos geométricos, numa escrita incompreensível, são as descobertas ainda não materializadas, as não racionais.

Chove devagar, como que num filme as gotas caem em câmara lenta. Cada gota que caí sobre mim ou sobre a parede desvanece as tintas, os passados. Cheira a verde e a terra agora. Cheira a renovação. Fundem-se as águas em mim, como que em renovação. Entranha-se-me a água na pele, e as gotas fazem parte do meu ser.

Tu vinhas, em slow motion, sentia-te os passos na pele. Passavas e esticavas a mão para tocar a minha, eu esticava o braço para te tocar também, mas nunca te alcançava. Depois desvanecia-te a imagem, fundias-te no escuro da noite. Passavas tantas vezes!

Depois fez-se dia, amanheceu neste universo. Do longe veio o cheiro a mar, o sol inundou-me a pele e impeliu-me a fazer caminho. Desci o pé para o chão, desencostei-me, segui viagem. Caminho em direção ao fim da rua longa. Nas costas? Nas costas trago pedaços dos antigos cartazes.

EU   

Wednesday, December 5, 2012

Só hoje senti!

Não deixei de escrever! Não! Tenho estado empenhado em outro projecto literário que aconselho a quem não conhece: A esquina do blogue. Assino também como Eduardo Uruguai, a forma simples de assinar e personalizar = EU.
Espero que gostem e que lá me visitem enquanto aqui não volto!

Deixo-vos com a Sra. Mafalda Veiga, ela que vos diga o que me vai na alma.

   Só hoje senti 
que o rumo a seguir
levava pra longe
senti que este chão
já não tinha espaço
pra tudo o que foge
não sei o motivo pra ir
só sei que não posso ficar
não sei o que vem a seguir
mas quero procurar
e hoje deixei
de tentar erguer
os planos de sempre
aqueles que são
pra outro amanhã
que há-de ser diferente
não quero levar o que dei
talvez nem sequer o que é meu
é que hoje parece bastar
um pouco de céu
um pouco de céu
só hoje esperei
já sem desespero
que a noite caísse
nenhuma palavra
foi hoje diferente
do que já se disse
e há qualquer coisa a nascer
bem dentro no fundo de mim
e há uma força a vencer
qualquer outro fim
não quero levar o que dei
talvez nem sequer o que é meu
é que hoje parece bastar
um pouco de céu
um pouco de céu 

Friday, April 27, 2012


Quero!
Quero ter certezas, mas só tenho duvidas! Quero encontrar soluções e só encontro problemas! Quero calma, e só encontro distúrbios, gritos, choros, nervosismo! Quero encontrar a paz que também mereço, e só encontro guerra. Interior e exterior.
Quero encontrar dentro de mim as forças necessárias para fazer face às contrariedades. Para poder manter-me de pé e lutar. Eu sei que as tenho, só tenho de me recordar onde. Onde as deixei? Onde, em que parte do tempo as perdi ou esqueci? Quero lembrar-me mas não consigo! Os gritos são muitos à minha volta, os distúrbios enormes. Não oiço o meu pensamento! Preciso de um refúgio e abriguei-me em um campo de batalha, em um turbilhão.
Sei que tenho dentro de mim algo maior, preso, acorrentado, sufocado até. Sei que tenho um caminho, mas todos me empurram para fora dele!
Quero ter a mesma felicidade que já experimentei, aquela a que também tenho direito. Quero saber ser feliz. Com muito ou com pouco, partilhar sorrisos e gargalhadas, carinhos e afectos, caricias e abraços. Quero sentir o Mar a correr-me por entre os cabelos, a acariciar-me a pele. Quero deslizar sobre ele, como se dele fizesse parte. Quero sentir na boca o gosto a maresia e na pele o sal deixado pelo vento. Quero sentir o Sol turvar-me a visão ao refletir-se no Mar, quero semicerrar os olhos ao senti-lo.
Quero abraçar os meus filhos e inundá-los de amor. Quero aconchegar quem amo no meu peito, e adormecer.
É muito o que peço? Felicidade?

Thursday, March 29, 2012


Tenho, de à uns tempos a esta parte, feito um exercício fantástico, que vivamente recomendo: Pus-me em causa. Avaliei onde cheguei,como é que cheguei, e onde gostaria de ter chegado. Acreditem revi tudo o que fiz até hoje. Arrependi-me de algumas, muitas decisões, mas cheguei à grande conclusão: Fui eu quem traçou todos os caminhos até onde me encontro. Foram as minhas decisões, a forma como reagi às acções. Foram acima de tudo as minhas motivações (motivo+acções = a motivos para agir).
Vejo-me actualmente, obrigado, uma vez mais a traçar caminhos.
Como em tudo o que faço, mesmo incondicionalmente, racionalizo. Faço esquemas Excel, avalio vectores, invento gráficos, somo e multiplico números e mais números. Depois em oposição, aquilo que me parece claro, racionalmente, choca com tudo o que sinto emocionalmente. Estão a ver no que me meto? Para complicar, o meu lado, claramente racional, tenta racionalizar o sentimental, e não encontra formulas matemáticas, cientificas ou algo que o valha.
É-me aberta a possibilidade de ingressar, num novo projecto profissional, com uma grande carga pessoal, de sair de Portugal, para trabalhar no estrangeiro. Então e o mar? O cheiro a Lisboa? O Tejo? Mas acima de tudo...então e o Mar? Como é que vivo sem mar, sem o ver, sem o cheirar,sem o sentir?
...afinal há mar!!! Não sabia.
O que realmente gostava de partilhar, é que graças a imensa leitura, e abertura a outras perspectivas, descobri um novo eu. Um "eu" para lá do que é físico. Descobri que posso controlar quem sou e para onde devo ir, e a cima de tudo perdoei-me, e descobri que já o deveria ter feito à muito tempo.
Descobri lições valiosas em erros, onde antes só havia erros encontrei sabedoria. Na queda, aprendi a levantar-me, e nunca o teria aprendido se não caísse. Aprendi a gratidão pelo todo, e todos os dias me sinto grato, por me ter ser dado o Don de existir, de desfrutar do Sol e do Vento, do Mar e da Terra, do Ar e do Fogo. Todos os dias encontro felicidade, onde antes não encontrava nada. Onde via dificuldades, agora vejo desafios, e oportunidades de aprender.
Aprendi, e quero continuar a aprender, para poder partilhar a felicidade, a realização e o amor, com o maior numero de pessoas possível. Quero partilhar felicidade!
OM Shanti


EU