Acordei de um sonho fantástico! Tudo era tão real e tão
perfeito!
Quando adormeci, de headphones, a Dona Mafalda afagava-me os
ouvidos e alma, como sempre. É ela a minha ligação a ti e ao nosso passado.
Sonhei, e acordei a ouvir esta frase, “…eu estarei, quando
te sentires só!”.
Felizmente, adormeci no avião, porque ao fim de tantos anos
e viagens, continuo a sentir um estranho desconforto, em viajar de avião, sinto
como se não fosse algo natural, viajar pelos céus.
Tinham-me telefonado a avisar de grandes ondas, e um dia
clássico, na Ericeira, ou na Nazaré, já não me lembro. São assim os sonhos,
desvanecem-se depressa. Eu meti-me no carro, e telefonei-te para ires ao meu
encontro. Tudo era normal, não havia passado, era a história presente. Não nos tínhamos
separado, não havia remorsos, interrupções, nada. Era tão normal e tão real,
que tive necessidade de pegar logo no “Lap-top”, para o escrever.
Eu cheguei de carro, e tu lá estavas à minha espera.
Estávamos juntos, era “natural”! Acolheste-me com o teu sorriso enorme,
envolveste-me nele e contagiaste-me como sempre. (Diz-me agora a Dona Mafalda, que
“Há sempre uma maneira de recomeçar, o que se quiser!”).
Cumprimentámo-nos com um beijo longo e fresco. Envolvi-te
num abraço. De seguida olhámos o mar e as ondas, realmente “clássicas”, e tu disseste-me
um simples e compreensivo: - Vai! E eu fui, e desci a primeira onda a olhar
para ti no paredão, e era tão real, tão perfeito!
Senti invadir-me de uma felicidade que há muito não sentia,
que havia esquecido. Já não me lembrava que se podia ser tão feliz!
Continuo a amar-te Madalena, e é-me tão natural e tão puro.
Senti hoje, ao fim de tanto tempo a tentar esquecer-te, que afinal fazes sempre
parte de mim.
Continuo as horas que faltam do voo com um sorriso parvo e infantil
de contentamento puro.
Amo-te Madalena, “…e ao fundo, ouve-se o mar.”.
EU, do Romance "A areia dos pés" no Blogue "A esquina do Blogue".






