Saturday, May 26, 2007


A brisa é quente. É sempre quente. Abraça-me como se eu não pudesse fugir-lhe, e é Verão. É sempre Verão. É mais uma noite igual a outras tantas. É sempre Lisboa à noite, ou no Bairro Alto, ou na 24 de Julho, ou nas Docas e em Santos. As bebidas também pouco mudaram, ou é Gin Tónico (Bombay Shaffire s.f.f!), ou são shots de tequilha rasca com sal e limão, ou cerveja (Corona com lima, se houver!?!). Já enjoei à muito os vodkas com sumos de todos os gostos, e a porra do whisky sabe-me sempre a madeira podre.
Os anos passam, mas a repetição dos momentos volta sempre, como um "dejávu" triste num drama cinematográfico.
Olho o céu negro e procuro a lua, e fico feliz por instantes num consolo infantil e primário. Sei que nesse preciso momento também lá estás, algures, não sei bem onde... mas debaixo da mesma lua. Vou olhando as luas por já não te ter. Os anos passam e tu vais-te com a lua. Não de forma definitiva. Fundes-te antes com o seu brilho, e dás lugar a outra pessoa. Também a hei-de procurar, debaixo doutra lua, a mesma.
Três brilhos tem a Lua... a quem deixo um sorriso sempre que a brisa quente das noites de Verão teimar em abraçar-me.

Ass: EU

As três luas.

A brisa é quente. É sempre quente. Abraça-me como se eu não pudesse fugir-lhe, e é Verão. É sempre Verão. É mais uma noite igual a outras tantas. É sempre Lisboa à noite, ou no Bairro Alto, ou na 24 de Julho, ou nas Docas e em Santos. As bebidas também pouco mudaram, ou é Gin Tónico ( Bombay Shaffire s.f.f.!), ou são shots de tequilha rasca com sal e limão, ou cerveja ( Corona com lima, se houver!?!). Já enjoei à muito os vodkas com sumos de todos os gostos, e a porra do whiskie sabe-me sempre a madeira podre.

Os anos passam, mas a repetição dos momentos volta sempre, como um "dejávu" triste n'um drama cinematográfico.

Olho o céu negro e procuro a lua, e fico feliz por instantes n'um consolo infantil e primário. Sei que nesse preciso momento também lá estás, algures, não sei bem onde... mas debaixo da mesma lua. Vou olhando as luas por já não te ter. Os anos passam e tu vais-te com a lua. Não de forma definitiva. Fundes-te antes com o seu brilho, e dás lugar a outra pessoa. Também a hei-de procurar, debaixo d'outra lua, a mesma.

Três brilhos tem a Lua... a quem deixo um sorriso sempre que a brisa quente das noites de Verão teimar em abraçar-me.

Saturday, May 19, 2007

Pedro e o primeiro beijo

Pedro, 11 anos e todas as palpitações hormonais que isso implica. Olhos verdes, um cabelo loiro desalinhado que já devia pelo menos três meses ao barbeiro. Franzino e reguila, tinha sempre a resposta na ponta da língua. Era assim que hoje eu me definiria.
Já lá vão largos anos, mas se há coisa que não esqueci, foi o meu primeiro beijo e tudo o que ele me fez sentir.
Ana, 11 anos, cabelo muito negro, comprido, olhos grandes e expressivos. Magricela. Tinha uma pele muito branca, lembro-me que cheirava sempre a sabonete. Morava lá para os lados do Alto de S.João e tinha um sorriso lindo.
Julgo que era o último dia de aulas, e foi também a ultima vez que a vi. Achava-a engraçada, e tinha por ela uma paixoneta, que acho era correspondida. Depois do “toque de saída” fomos para o jardim da Madre de Deus. Era-mos um grupo de seis, três rapazes e três raparigas. Os outros quatro perderam-se na minha memória para sempre, a Ana ficou e permanecerá até ao fim.
Já não me lembro do que desencadeou o beijo, e a única razão que me ocorre para o termos dado, foi por ser o ultimo dia.
Coloquei-lhe as mãos na cintura e ela colocou as dela sobre os meus ombros. As nossas cabeças aproximaram-se num misto de medo e insegurança… e os nossos lábios tocaram-se, os dela eram secos mas macios, nunca tinha achado nada tão estranho mas ao mesmo tempo agradável. Depois, talvez movidos pelas influências televisivas, as nossas bocas abriram-se, sem saber bem porquê, uma vez que dentro delas nada mais aconteceu, mas se era assim que faziam na televisão…
Depois chegou o autocarro, e até hoje nunca tive oportunidade de dizer à Ana que já sei afinal para que servem as bocas coladas e abertas, e o que acontece dentro delas.
Para a Ana: Se algum dia leres isto e ainda te lembrares daquele Verão de 81, depois de ter-mos saído da Verney, fica a saber que te fiquei a dever um beijo em condições. Digo-te depois o que acontece dentro das bocas.

Ass: EU