Sunday, November 3, 2013


Bali

Pedro:
Nada corre como previsto! A viagem ao México foi cancelada por falta de Swell. Vim parar a outro extremo, a outro continente, Africa. Africa do Sul, das praias selvagens e dos tubarões brancos.
Conheci um casal francês, que também aproveitou as férias de verão para uma surf trip mundial. Laurent e Caroline, são assim que se chamam, e é o que mais próximo tenho como amigos neste fim do mundo. Faltas-me cá tu! Lembro-me sempre de ti e do que tínhamos quando vejo casais em plena harmonia e felicidade. Queria ter-te para te partilhar com eles também, para podermos sair juntos e teres companhia na praia, nas horas que estou dentro de água.
O Laurent disse-me que viajam para Bali, dentro de três dias, e decidi acompanhá-los. Fazem-me bem estas jornadas, os imprevistos. É nessas alturas que consigo não estar a pensar em ti.
Bali, ruas loucas e motorizadas como cogumelos a nascer em todo o lado. Um cheiro forte a especiarias no ar quente e húmido. É o nosso primeiro dia e visitámos a feira local, onde é possível vender tudo e comprar tudo, desde bijuterias a alimentos regionais a eletrodomésticos. Uma loucura. Um sussurrar ensurdecedor enche o ar e os ouvidos. Pregões, discussão de preços, conversas de ocasião, e o som, sempre o som de centenas de motorizadas de fundo.
Congelei! No meio de toda a confusão e de rostos idênticos, e tons de pele escuros, vi ao longe uma ocidental. Atravessava a multidão de mão dada com alguém que não vi. Parecias-me tu, ou o meu cérebro pregou-me uma partida má. Já nem sei como és, passou tanto tempo! Mas gelei, senti mil borboletas no estomago, fiquei com a boca a saber a papel de rebuçado e um suor frio cobriu-me por completo.
…e se és tu? Corro? Resgato-te da mão que te prendia, e como nos filmes beijo-te tombada sobre os meus braços, como se não houvesse passado, só existisse o agora, o ali. E se não és? Não sei o que me provocaria mais descontentamento. -Ça vá? Diz-me o Laurent. Nem respondo, estou inebriado, a viajar. Na cabeça revejo em microssegundos todas as probabilidades. Não podes ser tu, não aqui, não agora! Se fosses corria, o coração empurrava-me e saltava-me pela boca. Agarrava-te e fugia contigo para sempre, sem destino, a não seres tu.
Nessa semana voltei várias vezes ao mercado, sempre na esperança de rever a mesma mulher, sempre com medo que fosses tu, que não me reconhecesses, que me ignorasses. Mas queria ver-te, ou pelo menos ter a certeza de que não eras tu. O resto do tempo passei-o dentro de águas cristalinas e ondas selvagens e perfeitas, desapegado de tudo, sem memórias ou futuros, na única altura em que nada me incomoda. Sou só eu e o ali e agora.
Mais um destino que queria partilhar contigo, um paraíso infindável de cores, cheiros e experiencias inesquecíveis. Queria-te aqui, sem ti só consigo meias felicidades. Regresso a Lisboa amanhã, talvez lá te encontre, ou não, nada sei de ti. Mas em Lisboa amo-te sempre mais.
EU
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Tuesday, October 8, 2013



Chega!
Madalena:
Como é que consigo? Porque é que restam tantas memórias? Porque é que não saís de uma vez por todas de dentro de mim?
Dei-te tempo, tanto tempo! Amava-te tanto! Como posso ainda imaginar um futuro juntos, que nos seja comum? Estragas-te tudo, não te lembras? O mesmo abraço que me deixava segura, magoou-me, apertou demais. Quase me sufocou. “Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida.” Lembras-te?
Quis-te como nunca desejei ou quis alguém. Estúpida, ainda quero! Mas não quero todos os problemas de volta, és complicado demais. Não quero ter de te partilhar com nada, nem impor-te decisões. Senti que não cabia na tua vida e amar-te não bastava!
Como amava o calor da tua pele, a tua respiração no meu pescoço, os abraços que me envolviam e resgatavam do mundo. Como pude ser tão parva? Como é que não percebi, que nunca serias só meu?
Queria ter filhos teus, a que daríamos nomes que já tínhamos escolhido! Queria perder-me em ti. Tremi da primeira vez que nos amámos. Tola! Dei o meu melhor, e queria o teu melhor, o teu todo. Queria voltar a adormecer contigo sob as estrelas da praia e acordar com os teus beijos salgados e molhados do mar. Ralhar-te porque me pingavas de água gelada, enquanto te sacudias como um miúdo.  Queria que Ribeira D’Ilhas fosse para sempre. Ver-te remar ao longe sobre o mar, ver-te rasgar as ondas num bailado quase que sincronizado. Orgulhar-me novamente por te ver sair da água em direção a mim. Vinhas sempre. Como um guerreiro após uma batalha, com a tua armadura de neopreme a escorrer restos pingados de uma batalha. Na mão trazias a arma com que rasgaste e esventras-te as ondas. Vinhas, e era sempre para mim. Nessas alturas sentia-me única.
Queria poder voltar a ir contigo a Nova York. Voltar a fazer aquela corrida no Central Park, ver-te a alimentar os esquilos, com os olhos a brilhar. Parecias uma criança. Foi a nossa lua-de-mel antecipada, a única altura em que me pareces-te só meu.
Segui outro caminho! Doías-me demais. Encontrei outro sentido, tu fazias-me mal. Encontrei outra pessoa, que me faz melhor, ou pelo menos diferente. Partilhei com ela outras viagens, outros rumos. Sorri, dei gargalhadas. Tenho pena que não possas partilhar desta felicidade comigo. Sinto que te traio, ou que pelo menos traio, ou retraio, um vazio no peito.
Queria mostrar-te Paris, Londres, as praias a perder de vista na Indonésia. Dar-te as ondas que vi. Sempre que as vi, faltaste-me, estava habituada demais a ver-te nas ondas na minha frente. Tu não estavas lá. Disseram-me que percorrias o México em busca de ondas infindáveis e spots desconhecidos. Queria sentir-te ali! Senti que traia a pessoa com quem partilho a vida e agora os meus, que já foram nossos, sonhos.
Sou, e estou feliz agora. Já não tenho medo que me esperes no escuro. Sinto-me segura, com porto de abrigo. Mas permanece em mim um medo, de te encontrar, de nos cruzarmos, e tremerem-me as pernas, faltar-me a voz. Querer partilhar contigo a minha felicidade e não conseguir. Tenho medo de te magoar, por nada ser capaz de dizer. Dizer-te que está tudo bem, nada se perdeu, e o passado fará sempre parte das nossas memórias, será sempre uma parte de nós, e não podemos apagar quem somos. Acho que morro se te vir!

EU

Sunday, October 6, 2013

James Arthur - Impossible (Lyrics)

O Mundo de Pedro, o fim!
Pedro:
Criou-nos o tempo um tempo, que não deveria ser tempo. Estava fora do tempo, atrasado ou adiantado, ao tempo que deveria ser nosso. Cruzaram-se os nossos caminhos fora do tempo. Mas como eu tinha a certeza que deveríamos estar juntos! Como se fosse essa a mais natural escolha de destinos no universo.
Foste a minha metade, a metade que me faltava e me completava, e como eu sinto falta dessa parte! Se pudesses imaginar, se o pudesses sentir como sinto. Se pudesses imaginar como lamento, como me arrependo de ter sido alguém que eu próprio nem em mim reconheço. Também a mim me apetecia engolir-te e fundir-te em mim.
Fiz-te tanto mal. Eu sei. Mas o meu coração gritava e cegava, todos os meus atos. Gritava desespero. Tive o mundo e a felicidade numa mão, e de repente fugia, já nem eu sei porquê. Já não sei como chegamos onde chegámos. Só sei que me doía e ainda dói. Tudo o que fiz foi puro instinto de sobrevivência. Não sabia e ainda não sei, viver sem ti, com a tua falta.
Sigo-te ao longe, nas sombras. Alegro-me com os teus sorrisos, com a tua vida, com o que alcanças-te. Mas não estás cá, nunca estás cá. Não te oiço rir, não posso sentir o teu sorriso, a tua respiração. A tua vida, que já não é o meu caminho.
Maldito tempo! Com tantos caminhos na vida, tinhas de vir no pior! Quando tudo era confuso demais para mim, quando não sabia ainda quem era, não sabia dize-lo em palavras. Não consegui dizer-to quando ainda o podia. Ainda posso…
Tenho medo de voltar a entrar na tua vida, medo de te desiludir mais uma vez, de não estar à altura. Medo de me tornar uma pedra no teu sapato, uma lembrança que queres apagar ou já apagaste. Tenho medo, acho que sempre tive medo, até de ser feliz demais, e depois sofrer, como agora sofro.
Sinto que fiz tudo para não te perder, mas infelizmente da única maneira que sabia na altura, da maneira mais errada. Sinto também que ainda não fiz o suficiente, que posso fazer mais, que devo lutar pelo que me faz feliz. Tudo o que vejo me ensina que só se encontra a felicidade plena quando se segue o coração.
Ainda continuo sentado nas escadas, no escuro, à espera que chegues. E como isso era assustador para ti. Mas eu ficava lá sentado, inebriado pelo álcool, inventando mil coisas que te diria e nunca disse. Assustava-te só, e fugias ainda mais.
Tinha prometido a mim mesmo, á muitos anos, nunca mais sofrer por ninguém, nunca mais amar e sair magoado. Mas não sei viver sem ti, nada faz sentido. Se estou feliz sinto a tua falta, para partilhar contigo a minha felicidade, se estou triste, sinto a tua falta, para me aconchegar no teu cheiro e abraço. Estou sempre, mas estou só metade de mim. Faltas-me tu!
Como te amo! Como desejo partilhar tudo da minha vida contigo, e fazer parte da tua vida também. És a motivação que me falta para seguir em frente, para caminhar para a felicidade. És o meu guia e eu estou cego. Não vejo os caminhos a seguir. Queria chegar alto, muito alto, para te orgulhares de mim. Mas tu não estás cá, já não estás, e falta-me a vontade de lutar, de alcançar algo que talvez nunca possa partilhar contigo.
Continuo a amar-te, é tudo o que sei, mesmo que o negue sempre interiormente, mesmo que queira seguir sem ti. Passou muito tempo, demais, para não te ter esquecido. Amo-te desde o fundo do meu ser, pois tu és parte dele.
Percorro o tempo sozinho, e com ele arrasto um passado pesado, recordações que me ferem e me dão contentamento. Tenho enormes anzois presos na pele, e presos neles memórias que arrasto em sofrimento, que me rasgam a carne. Queria fugir, não ser eu, ser outro alguém, renascer, sem passados nem futuros pré-concebidos. Queria ser o agora. Só, neste mesmo momento. Libertar-me de toda a tristeza e dar-me ao direito de ser feliz.
Ergueste-me um imenso palácio de cristais azuis, onde tudo era o meu mundo. Ergueste-o sobre um mar de algas, que de repente se afundaram com a maré, e com ela levaste tudo o que havias construído, e com elas foi também grande parte do que eu tinha construído. A minha vida até então. Fiquei perdido, só, desesperado, tentando em mergulhos de apneia resgatar tudo o que ainda fosse possível. Os meus pulmões explodiam de sofrimento a cada mergulho, e cada vez tinha de mergulhar mais fundo. Deste-me e tiraste-me tudo. Foi como me senti, sem nada!
Quero de volta o Sebastião, as camisolas grossas de inverno que deveríamos usar em passeios na praia, a nossa casa com janelas enormes para o jardim. Poder partilhar estes e outros sonhos contigo. Fazer corridas com caixotes de lixo, numa rua qualquer de Lisboa, ou de outra cidade em qualquer parte do mundo.
Tenho tentado o meu melhor, mas não fui bem-sucedido. Continuo à espera que alguém me concerte, que alguém me faça um re-load. Que sejas tu ou alguém, alguém onde eu possa ser eu. Onde as ondas do mar me acariciem a pele, me derrubem me libertem. Onde eu possa sentir de novo a areia debaixo dos pés, o off shore de um dia clássico. Onde eu possa voar livre sobre o mar, como as gaivotas. Onde os meus olhos se molhem num tom verde infinito, de mar azul e não de lágrimas de descontentamento. Quero-te tanto!  
EU

Saturday, October 5, 2013


Amor incondicional

Pedro:
Amo-te como nunca amei nada nem ninguém. Sei-o, sinto-o. Não te apagas de mim, nem há dia que não te recorde ou te busque. Já passou tempo demasiado, para ainda o sentir com a mesma intensidade, do dia em que te perdi, a falta do teu sorriso, do teu abraço, do toque da tua pele, o teu cheiro.
Não sei se consigo viver sem ti. Viver inteiramente feliz. Sou sempre só metade, faltas-me tu. Não consigo ser feliz sem o partilhar contigo. Não consigo fugir deste sentimento. Por mais que me afaste, por mais longe que vá, que viaje, mais se intensifica a tua falta. Estou mais longe da noite que também a ti te cobre, da lua que te ilumina, do sol que te aquece.
Sei que errei tanto! Como me tornei cego, um monstro. Feriste o que de mais selvagem, instintivo e inconsciente existe em nós: A certeza de amor verdadeiro; certeza de ter encontrado a parte que nos faltava. Arrancaste-me metade de mim, que era tua. Abriu-se uma ferida que nunca mais ninguém fechou. “Em cada gesto perdido, tu és igual a mim!”. Cegou-me o álcool a testosterona, a irracionalidade. Arrancas-te de dentro de mim um monstro. Feriste o instinto animal que existe dentro de mim.
Amo-te incondicionalmente. O suficiente para não te querer prender, o suficiente para que te deseje toda a felicidade do mundo mesmo longe de mim. Deveria ser assim o amor. É assim que o sinto. Amo-te por seres quem és, por dentro e por fora, como já disse incondicionalmente. “Em qualquer lado onde quer que eu vá, levo no corpo o desejo de te abraçar, em toda a parte onde quer que o sonho me leve, hei-de lembrar-me de ti… uma canção que um dia aprendi, e hei-de cantá-la a pensar em ti”
Só lamento ter-te perdido de todas as maneiras possíveis. Não poder estar contigo, cheirar o teu sorriso, acariciar as tuas palavras, tocar os teus sentimentos e levar comigo “o abraço guardado”. É o que mais lamento, não poder estar contigo. Partilhar alguma coisa contigo, e ter o privilégio de alguma maneira voltar a fazer parte da tua vida.
Amo-te como amo a vida!
EU

Tuesday, May 21, 2013